ECONOMIA | 2 de novembro de 2026
As exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia cresceram 21% entre maio e setembro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e demonstram os primeiros resultados da aplicação provisória das preferências tarifárias previstas no tratado.
A redução ou eliminação de tarifas de importação tornou diversos produtos brasileiros mais competitivos no mercado europeu, ampliando oportunidades para produtores rurais, indústrias e empresas exportadoras.
Produtos brasileiros registram crescimento expressivo
Entre os produtos que apresentaram os maiores avanços nas vendas para a União Europeia estão:
Abacates frescos: crescimento de 421%;
Mel: aumento de 367%;
Óleo de milho: alta de 266%;
Ferrossilício-manganês: crescimento de 173%;
Alumínio em bruto: alta de 107%;
Óleos combustíveis: aumento de 102%;
Etanol: crescimento de 95,2%;
Óleo essencial de laranja: alta de 75,8%.
Outro destaque foi o setor de equipamentos elétricos. As exportações de transformadores brasileiros para o mercado europeu alcançaram US$ 39 milhões no período analisado.
Oportunidades para o interior paulista
O avanço das exportações pode representar novas possibilidades para a economia do interior de São Paulo, especialmente em regiões com forte presença da agroindústria, como a Alta Mogiana.
A região reúne atividades relacionadas à produção de cana-de-açúcar, etanol, alimentos e outros segmentos do agronegócio, que poderão acompanhar as oportunidades abertas pela redução de barreiras comerciais.
O crescimento das vendas brasileiras de etanol para a Europa, por exemplo, merece atenção especial por sua relação com a cadeia sucroenergética, importante para a economia regional.
Entretanto, os dados divulgados pelo MDIC são nacionais e não permitem afirmar que houve aumento específico das exportações dos municípios da Alta Mogiana.
Acordo amplia acesso ao mercado europeu
As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e se estenderam por mais de duas décadas.
Os instrumentos do acordo foram assinados em janeiro de 2026, e a aplicação provisória das disposições comerciais começou em 1º de maio.
O tratado estabelece a redução gradual de tarifas e regras para facilitar o comércio entre os dois blocos econômicos.
Juntos, os mercados abrangem aproximadamente 720 milhões de pessoas e possuem Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões.
Desafios para empresas brasileiras
Apesar das oportunidades, o acesso ao mercado europeu exige que os produtos cumpram requisitos técnicos, sanitários, ambientais e de origem.
Para orientar os exportadores, o MDIC disponibiliza materiais técnicos no Portal Siscomex, incluindo manuais sobre regras de origem, redução tarifária e indicações geográficas.
Especialistas e representantes empresariais poderão avaliar como as novas condições comerciais podem beneficiar produtores e indústrias do interior paulista.
A ampliação das exportações representa uma oportunidade para diversificar mercados, agregar valor à produção e estimular novos investimentos, mas seus efeitos regionais dependerão da capacidade de cada setor de aproveitar as condições estabelecidas pelo acordo.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Agência Brasil, dados divulgados em 29 e 31 de outubro de 2026.



