ECONOMIA | 3 de novembro de 2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% sua previsão de crescimento da economia brasileira em 2026.
A revisão foi apresentada no Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado em 28 de outubro, e reflete a expectativa de menor crescimento da indústria e do setor de serviços.
Segundo a entidade, os juros elevados, o encarecimento do crédito e a desaceleração da demanda interna estão entre os principais fatores que limitam o desempenho da economia.
Indústria de transformação poderá registrar retração
A CNI reduziu de 2% para 1,3% a estimativa de crescimento da indústria brasileira em 2026.
O cenário é mais preocupante para a indústria de transformação, cuja previsão passou de crescimento de 0,6% para retração de 0,7%.
Esse segmento inclui atividades como fabricação de alimentos, máquinas, equipamentos, produtos químicos, veículos, calçados e outros bens industrializados.
Entre os fatores que pressionam a produção estão os custos financeiros, a concorrência de produtos importados e o crescimento mais lento do consumo.
Agropecuária apresenta perspectivas melhores
Na direção contrária, a agropecuária teve sua projeção de crescimento elevada de 1,8% para 2,5%.
A revisão positiva está relacionada principalmente à expectativa de desempenho mais favorável da segunda safra de milho.
O setor de serviços, por sua vez, teve sua previsão reduzida de 1,9% para 1,6%.
Impactos para o interior paulista
A desaceleração econômica merece atenção especial nas regiões de Ribeirão Preto, Franca, Araraquara, São Carlos e Alta Mogiana, onde a indústria, o comércio, a prestação de serviços e o agronegócio desempenham papéis importantes na geração de empregos e renda.
Em Franca, por exemplo, o setor calçadista depende das condições de consumo e do acesso ao crédito.
Nas regiões de Ribeirão Preto e Araraquara, a agroindústria e a cadeia sucroenergética também acompanham as perspectivas econômicas nacionais.
Já em São Carlos, a presença de empresas industriais e de tecnologia reforça a importância dos investimentos produtivos.
Os dados divulgados pela CNI representam projeções nacionais e não permitem concluir, isoladamente, que haverá retração econômica em municípios específicos do interior paulista.
Inflação e juros continuam preocupando
A entidade também apresentou novas estimativas para os principais indicadores econômicos.
A inflação oficial, medida pelo IPCA, deverá encerrar 2026 em 5,15%, segundo a projeção da CNI.
Para a taxa básica de juros, a Selic, a expectativa é de encerramento do ano em 13,25% ao ano.
Juros elevados tendem a encarecer financiamentos, investimentos empresariais e compras parceladas, influenciando o comportamento de empresas e consumidores.
Perspectivas para os próximos meses
A CNI estima que a taxa de desemprego termine 2026 em 5%, enquanto a massa de rendimentos reais dos trabalhadores deverá crescer 4,6%.
A entidade também projeta superávit de US$ 77,3 bilhões na balança comercial brasileira.
Apesar das dificuldades, a expectativa é de continuidade do crescimento econômico, embora em ritmo inferior ao previsto anteriormente.
Para empresários e gestores públicos do interior paulista, o cenário reforça a importância do planejamento financeiro, da produtividade e da busca por oportunidades de investimento.
Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI), Informe Conjuntural do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 28 de outubro, e Agência Brasil.



