ARARAQUARA E REGIÃO | 6 de novembro de 2026
Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil resultou na prisão de três pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de comercialização de medicamentos falsificados utilizados no tratamento de pacientes com câncer.
A segunda fase da Operação Laziosi foi deflagrada nesta quinta-feira (5), com ações em Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de sete empresas relacionadas à investigação.
Investigação começou em 2024
Segundo o Ministério Público, o caso começou a ser investigado após um laboratório farmacêutico identificar indícios de falsificação de um medicamento de alto custo utilizado no tratamento oncológico.
O produto havia sido comercializado por uma distribuidora com sede em Araraquara e destinado a um hospital da capital paulista.
Análises laboratoriais identificaram que o medicamento não continha o princípio ativo necessário para produzir o efeito terapêutico esperado.
A perícia oficial confirmou a falsificação.
Medicamento falso chegou a ser aplicado em paciente
Durante as investigações, os agentes identificaram indícios de que a rede continuou comercializando produtos suspeitos mesmo após a primeira fase da operação, realizada em novembro de 2024.
Em abril de 2025, uma distribuidora investigada vendeu nove unidades de outro medicamento oncológico falsificado a um hospital do interior paulista.
Segundo as informações reunidas pelo Ministério Público, uma dessas unidades chegou a ser administrada a um paciente antes da identificação da irregularidade.
O episódio evidencia a gravidade dos riscos associados à falsificação de medicamentos utilizados em tratamentos de alta complexidade.
Produtos apresentavam irregularidades
Um dos medicamentos investigados é o Keytruda, utilizado em tratamentos de diferentes tipos de câncer.
De acordo com análises divulgadas durante a investigação, uma unidade falsificada não continha pembrolizumabe, seu princípio ativo. No material examinado foram identificados sódio e cloro.
Também foram apontadas divergências nas embalagens, nos números de lote e nas informações de validade.
Esses elementos contribuíram para a identificação da falsificação.
Empresas e movimentações financeiras são investigadas
O Ministério Público apura a atuação de uma rede de empresas que teria participado da distribuição dos produtos e de movimentações financeiras suspeitas.
Entre janeiro e novembro de 2024, uma distribuidora investigada emitiu mais de R$ 1,5 milhão em notas fiscais relacionadas a um dos medicamentos falsificados, com destinatários em diferentes estados.
As autoridades também investigam possíveis crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O bloqueio patrimonial determinado pela Justiça busca preservar valores que poderão ser utilizados em eventuais medidas de reparação ou recuperação de recursos.
Operação tem participação de órgãos da região
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio de seu núcleo de Ribeirão Preto, em conjunto com a Polícia Civil.
As ações policiais atingiram municípios da região de Araraquara e outras localidades paulistas.
O caso reforça a importância dos mecanismos de fiscalização, rastreabilidade e controle de qualidade dos medicamentos distribuídos a hospitais e estabelecimentos de saúde.
As investigações continuam, e os suspeitos têm direito à defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
Fontes: Ministério Público de São Paulo; Folha de S.Paulo, reportagens publicadas em 5 de novembro de 2026.



